Aquarela, vinho e lagosta sapateira

Desenho em aquarela de uma lagosta serrada ao meio com cebola, alho e duas garrafas ao fundo
Nada como o receio de estragar a comida para desenhar rápido

Em agosto do ano passado fui à peixaria do Direto do Campo do bairro Saco dos Limões atrás de peixe ou camarão para o fim de semana. Comprei uma anchova para assar no forno e meia dúzia de ostras (aqui em casa, só eu como moluscos com conchas).

Enquanto espero o funcionário limpar a anchova, vejo duas novidades na vitrine: lagostins, que já conheço, e outro crustáceo que parece uma lagosta, só que menor e de carapaça mais escura.

— “O que é?”, pergunto

— “Lagosta sapateira”, ele responde.

— ”E como se prepara?”

— “Dá pra assar…”, diz.

O preço está bom. Mais barato que o salmão, por exemplo.

Mas fico meio indeciso se vou conseguir destrinchar o bicho. Lembro do trabalho que a protagonista do filme Julie & Julia passou com uma lagosta.

— “A gente serra ela pra você”, oferece o peixeiro.

Negócio fechado!

De volta em casa, o desafio do Urban Sketchers Florianópolis vem a calhar: desenhar os ingredientes de uma receita. Encho uma travessa com gelo e coloco um plástico para apoiar a lagosta, evitando assim a temperatura ambiente.

Desenho sem as cores da aquarela com o cenário ao fundo

Incluo os outros ingredientes: alho, cebola, azeite de oliva, mais a garrafa de vinho e a mesma toalha verde de bolinhas que aparece no post anterior. Tento terminar rápido para que não estrague. Menos de duas horas depois, a aquarela está pronta.

Lagosta cortada ao meio preparada com cenoura, abobrinha e batata sobre um prato azul escuro
Depois de uma exaustiva sessão de desenho, é preciso se reabastecer

A hora de preparar as lagostas é à noite. Assisto a uns vídeos no YouTube e decido fazê-las na wok, com legumes. Deu certo. Pena que não é sempre que tem para vender.