Aniversário no restaurante

Desenho horizontal com várias pessoas sentadas em duas mesas
Única vez em que vi todos os trabalhadores do restaurante do lado de fora

Dá uma certa tristeza ir ao Centro de Eventos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e ver o restaurantes e os cafés fechados.

O centro é do lado do meu trabalho. Quase todo dia no meio da tarde tomava café com os colegas na praça de alimentação. Às quartas e sextas, saía da natação de manhã cedo, quinze minutos antes do expediente, e me sentava em uma das mesas com armação de metal e cadeiras fixas, de assentos de plástico rígido, para comer um par de sanduíches que trazia de casa. O tampo da mesa era gelado, de pedra.

Ana Maria Braga e Louro José – o ator que o personificava ainda era vivo – me faziam companhia pela TV fixada em uma coluna. Às nove da manhã, os frequentadores não passavam de uma dúzia. Eram estudantes e professores sozinhos com seus notebooks ou, quando acompanhados, tratando de teses e questões de departamento.

Tenho um caderno que fica na mochila da piscina cheio de desenhos feitos nessas horas. O último leva a data de 10 de março de 2020, uma semana antes do lockdown. Um dia ainda publico mais.

Em uma manhã de maio, há dois anos, noto uma movimentação diferente no restaurante Fino Paladar. Às nove, os funcionários já estão de um lado para o outro na função de deixar o almoço pronto às onze. Normalmente, ficam dentro da cozinha, mas hoje estão todos sentados em duas mesas da praça de alimentação.

Foto da praça de alimentação do Centro de Eventos da UFSC com funcionários do restaurante Fino Paladar ao fundo e o desenho em primeiro plano
Breve pausa dos funcionários na manhã agitada do restaurante

Logo descubro por quê: aniversário de uma colega. Abrem duas caixas de salgadinhos, cantam parabéns e tiram fotos. Um rapaz de uns trinta e poucos anos, mais corpulento, avisa que não quer ser ser fotografado e fica em pé ao lado da mesa, mesmo com várias cadeiras vazias (e vai embora antes que eu o desenhe).

Duas ou três garrafas de refrigerante acompanham os salgadinhos. Lá pelas tantas, o rapaz que se recusa a sentar comenta que gosta mesmo é de tubaína.

— É tipo um guaraná, só que de garrafa. Eu gosto quando está com aquela crosta de gelo do lado de fora — teoriza.

Me pergunto onde estarão todos eles agora.