Urban sketching: uma crônica do primeiro encontro

Fotografia mostrando desenho em primeiro plano e ao fundo a paisagem desenhada: orelhão e três casas antigas.

Se você gosta de desenhar, uma hora ou outra vai ouvir falar do movimento Urban Sketchers. Pode ser através de um post no Instagram ou ao descobrir o blog de algum artista.

Se procurar mais, vai saber que o movimento tem “filiais” em Seattle, Lisboa, Chicago, Cingapura, São Paulo e muitas outras cidades. Mais de três centenas delas, na verdade.

Daí você pensa: “Que bom se tivesse aqui também na minha cidade”.

Comigo foi assim. Em agosto de 2016 participei pela primeira vez de um encontro do Urban Sketchers Florianópolis. Era a quarta edição. Não fiquei sabendo da sessão inaugural no Largo da Alfândega e devo ter dormido no ponto para ter perdido as outras.

Fotografia do autor com o caderno apoiado no colo, com o desenho quase pronto, segurando o pincel e um pote de tinta
Sombras aplicadas com pincel japonês e nanquim diluído

Fui empolgado para testar o método do malaio Kiah Kiean, que desenha com gravetos e nanquim. Semanas antes, tinha vasculhado seu blog e encontrei algumas dicas. Como, por exemplo, usar um pote pequeno com um pedaço de gase encharcado de tinta no fundo, em vez de mergulhar o graveto diretamente no nanquim.

Por sorte, a pena de bambu eu já tinha. De um tipo que nunca mais achei, comprada no Japão. É feita com um bambu de paredes bem mais finas que as das nossas espécies locais.

Não tive como não ficar sabendo desse encontro. O evento foi em conjunto com a Feira de Artes de Florianópolis (FAF), da qual eu já era frequentador e expositor. Foi idealizada pelo jornalista Fifo Lima, que convidava artistas de toda a cidade para mostrar e vender seus trabalhos. Durante uns dois ou três anos, movimentou os sábados naquele pedaço do Centro e deu origem à Faferia, galeria e local de cursos que Lima criaria depois.

Desenho a traço mostrando par de orelhões em primeiro plano e casario antigo ao fundo, sendo a principal com duas portas em formato de ogiva.
Casario sobreviveu à substituição por prédios bancários ao redor da catedral. Nanquim sobre papel

Desenhei um casarão – hoje um restaurante – e parte do sobrado estreito do Grupo de Teatro Armação, onde acontecia a FAF.

As construções fazem parte de um conjunto arquitetônico de antigas residências familiares, como escreve o também jornalista Carlos Damião. Na esquina onde está uma banca de jornais, funcionou o Poema Bar, adotado pelos intelectuais da época.

E já que estamos falando em preservar memórias, registrei em primeiro plano um par de orelhões, que estão sumindo juntamente com as bancas de jornais, jornais impressos e botecos frequentados pela elite pensante.


  • Pena de bambu
  • Pincel japonês tipo fude
  • Nanquim
  • Sketchbook A3 com papel Suzano Report Premium 75 g/m²

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