O dia em que conheci o Instituto

Em primeiro plano, caderno com desenho da fachada do ginásio. Ao fundo, o ginásio verdadeiro, com as colunas triangulares
Fachada do Completo Rozendo Lima, incorporado ao Instituto em 1993

Entrei no Instituto Estadual de Educação duas vezes na vida. Na primeira, para prestar o Enad no fim da faculdade. Na última, há quase dez anos, para fazer uma pesquisa sobre um aparelho destinado a estudantes cegos para meu trabalho.

Naquele dia, eu e um colega cruzamos a entrada principal carregando dois protótipos do dispositivo, câmera, tripé e pranchetas, e subimos a grande rampa, passando pelas passarelas até chegar à sala dos professores.

Eu iria me perder se estivesse sozinho. O Instituto é considerado a maior escola pública da América Latina, com cerca de cinco mil estudantes distribuídos em vinte mil metros quadrados. Meu colégio era do outro lado da cidade e por isso eu transitava pouco por essa parte do Centro.

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Uma das professoras avisa que o aluno que fará a atividade talvez fique sem jeito. A pesquisa, um teste de usabilidade, consiste em lhe pedir que faça algumas tarefas enquanto vamos anotando qualquer coisa que dificulte o uso. Já estamos acostumados e avisamos que a pesquisa pode ser interrompida se ele quiser.

O estudante chega, acompanhado da professora. É um guri de uns 16 anos, mais alto que eu, articulado e curioso. Durante o teste, ele pergunta sobre as funções do protótipo que levamos e compara-o com o notebook, que usa através de um leitor de tela. Chega a dar sugestões e afirma que quer fazer Ciências da Computação depois de se formar no colégio.

O ginásio Rozendo Lima aí do desenho é parte do complexo do Instituto. Registrei-o no final de uma tarde de inverno de 2018, sentado em um banco gelado com o caderno apoiado em uma mesa de xadrez banguela na avenida Hercílio Luz. No final, já estava tremendo de frio. Tirei a foto e fui embora, mas com vontade de organizar um encontro do Urban Sketchers dentro do colégio. Em temperaturas mais amenas, de preferência.

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Há um par de anos, assisti a uma palestra de um desenvolvedor, também cego, sobre inclusão na área de software e lembrei do rapaz do teste. A essas alturas, ele já deve ter se formado e, quem sabe, ganhando o próprio dinheiro fazendo o que gosta.


  • Caneta tinteiro Lamy ponta média
  • Pincel tipo waterbrush
  • Caderno Canson Art Book One A5 100 g/m²