Só faltou a merenda: um sábado à tarde na antiga escola Silveira de Souza

Fotografia da fachada traseira da escola, pintada em rosa claro, com o desenho em primeiro plano
Planta em formato de “u” guarda pátio interno acessível pelos fundos

Quem passa a pé pela calçada estreita em frente do número 334 da rua Alves de Brito, no centro de Florianópolis, só consegue ver o muro alto pintado de rosa claro. É o endereço onde funcionou a antiga escola Silveira de Souza e que guarda as lembranças de quem estudou lá durante seus quase cem anos de existência, de 1913 a 2009.

O prédio, que hoje abriga a Escola Livre de Artes, tem como vizinhos um colégio particular, um restaurante japonês, outro de frutos do mar, além de moradores dos prédios residenciais de uma das regiões mais caras da ilha. “Um detalhe interessante é que, situada em zona nobre da cidade, a escola abrigou até 2009, no ensino regular, alunos de todas as classes sociais. E era muito procurada pelas famílias moradoras das comunidades do Maciço do Morro da Cruz”, escreve o jornalista Carlos Damião.

Em abril de 2019, o movimento Urban Sketchers Florianópolis conseguiu o apoio da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes para fazer um encontro de desenho na escola. O evento foi em um sábado à tarde, horário em que normalmente o lugar está fechado.

Chegamos e o vigia nos abre o portão de ferro entre duas grandes colunas brancas. A escola fica acima do nível da rua. Uma escada e já estamos de frente para a fachada das duas alas, uma para meninos, outra para meninas.

Desenho a nanquim do prédio da escola Silveira de Souza em estilo eclético. Fachada traz duas janelas verticais compridas e uma escada à esquerda
Antiga escola Silveira de Souza no Centro. Hoje é a Escola Livre de Artes

A edificação em “u” tem um pátio interno com jardim. O lugar está quieto, difícil imaginá-lo cheio de crianças e adolescentes. Eu e alguns participantes escolhemos ficar na quadra dos fundos, que dá visão para o pátio. Outros se espalham pelas escadas e corredores externos. Uma terceiro turma aproveita as mesas e cadeiras de cimento na lateral direita.

A escola foi o quinto grupo no Estado e o segundo do governo Vidal Ramos. Em 2009, teve a administração cedida ao município, que destinou o espaço ao EJA (Ensino de Jovens e Adultos) e a atividades musicais. Em 2012, foi sede de uma mostra de decoração da qual resta o paisagismo do jardim e a estrutura abandonada que exibia o lançamento de um carro. Hoje, abriga a Escola Livre de Artes, gerenciada pela Fundação Franklin Cascaes.


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