Tag: aquarela

  • Eu poderia estar vendendo bilhete de loteria

    Eu poderia estar vendendo bilhete de loteria

    Estou em pé, encostado na mureta da padaria Maria Farinha, com a prancheta na mão esquerda e a caneta na direita. É junho, mas o sol forte permite sair de camiseta. A minha é amarela. Uma senhora franzina se aproxima puxando um carrinho de feira. “Vai perguntar o que estou fazendo e quem sabe elogiar…

  • A (outra) lanchonete dos arcos dourados

    A (outra) lanchonete dos arcos dourados

    Frente à oportunidade de desenhar a fachada do antigo hotel Metropol, exemplar bem conservado da arquitetura eclética de 1910, de fachada simétrica e cheia de ornamentos, na rua Francisco Tolentino, o que eu escolho? A lanchonete Amarelinha a menos de 50 metros dali. A faixa vermelha com dizeres em amarelo anuncia café, salgadinhos, pratos executivos…

  • Resistência com frutas e terra preta

    Resistência com frutas e terra preta

    O contraste não poderia ser mais evidente. De um lado da rua, o prédio novo, com apartamentos de tamanhos inversamente proporcionais à pretensão do “Studios & Gallery” no nome. Do outro, três pequenas casas – duas de madeira e uma de material – nos fundos de um terreno que pertence à mesma família há mais…

  • Sempre haverá um pneu furado para quem é borracheiro

    Sempre haverá um pneu furado para quem é borracheiro

    — Eu te conheço! Tu é o artista que desenha por aqui. Já te vi antes! — diz o homem que passa por mim pela calçada. Ele fala alto e tem os “s” bem chiados. É verdade: fim de semana passado ele andava pelo posto de gasolina a um quilômetro daqui, mais perto da universidade.…

  • A padaria sob proteção divina

    A padaria sob proteção divina

    Em 2016, o folheto de um novo empreendimento no bairro já mostrava as mudanças planejadas para a entrada do loteamento Jardim Guarani, no Córrego Grande. Na vista aérea montada com 3D e Photoshop, o terreno onde ficam a padaria, a casa cor de salmão e a borracharia virou um inóspito triângulo gramado. Três anos depois,…

  • A cunhada artista

    A cunhada artista

    A calçada de menos de meio metro de largura me força a desenhar em pé, encostado em uma mureta. Não tem espaço para eu sentar no banquinho, que deixei em casa, no porta-malas do carro. Uma senhora passa andando por mim e aproveita o espaço estreito para espiar o que estou fazendo. — Muito bonito…

  • O palácio desocupado e as ruas vazias

    O palácio desocupado e as ruas vazias

    A rua é generosa. O crime, o delírio, a miséria não os denuncia ela. João do Rio em A Rua Desenhar no Centro faz treinar outras habilidades além do traço. A primeira é não se distrair com a quantidade de passantes, bem mais numerosos que em outros lugares da cidade. Ainda que, em sábados anteriores,…

  • Relato sobre um desenho invendável

    Relato sobre um desenho invendável

    Os carros estacionados dos dois lados da rua somem e são substituídos sem que eu perceba. Uma minivan branca para quase em frente de onde estou sentado desenhando. Não chega a atrapalhar a vista, mas os ocupantes iriam incomodar. Só um deles, para ser justo. O prédio que escolhi registrar foi construído em 1910 para…

  • Um empurrãozinho forte no Instagram

    Um empurrãozinho forte no Instagram

    É quase inverno, um daqueles dias de céu azul comuns em junho. Mesmo sendo sábado, a praia do Forte está vazia. O restaurante em frente ao mar tem só duas mesas ocupadas. Compro o ingresso para entrar no forte de São José da Ponta Grossa, local do encontro do Urban Sketchers Florianópolis. As lembranças que…

  • Você sabe o que é um lambrequim?

    Você sabe o que é um lambrequim?

    Um dos benefícios de desenhar as construções da cidade é ganhar vocabulário. Por exemplo, “lambrequim”. É o nome que se dá para o adorno em madeira que segue o telhado, presente neste casarão na esquina das ruas Luís Delfino e Alves de Brito, no Centro de Florianópolis. É um elemento que aparece mais nos estados…

  • Um passeio até a Lagoa com a Companhia Ferroviária Florianopolitana

    Um passeio até a Lagoa com a Companhia Ferroviária Florianopolitana

    Se aqui existisse trem de passageiros, faríamos a travessia entre o continente e a ilha dentro de um vagão. Quiçá teríamos um trem-bala que parasse em São José e de lá os viajantes fariam a baldeação para a linha metropolitana até Florianópolis. Se o trajeto fosse de manhã cedo, como seria o caso dos trabalhadores,…

  • A rua do Comércio (e das soluções para pequenos problemas)

    A rua do Comércio (e das soluções para pequenos problemas)

    A rua Conselheiro Mafra é a rua das necessidades. A Felipe Schmidt, logo acima, é a rua dos desejos. Ambas ficam no Centro de Florianópolis. Vai-se à Felipe Schmidt para olhar relógios, óculos escuros, roupas, perfumes e calçados e, eventualmente, comprá-los. Quem vai à Conselheiro, em contraste, sai com seu destino traçado. Precisa de uma…