Mais um capítulo na disputa entre quero-quero e futebol

Pintura em pastel seco mostrando árvores em primeiro plano e caixa d'água ao fundo.
Árvores do Jardim Botânico em um fim de tarde ensolarado

O Jardim Botânico de Florianópolis, no bairro Itacorubi, é um local agradável para passar algumas horas. Adultos com crianças, jovens com violão e gente deitada na grama ocupam o espaço enquanto desenhamos no encontro do Urban Sketchers Florianópolis na primavera de 2019.

Cena do Jardim Botânico de Florianópolis em um dia ensolarado com árvores e uma caixa d'água ao fundo. Em primeiro plano, mãos seguram caderno com pintura me pastel seco
Jardim tem pouca arquitetura para desenhar, mas bastante vegetação

Acontece até algo curioso: ninguém aparece para perguntar o que estamos fazendo, coisa comum em outros lugares. Deve ser porque os frequentadores têm suas próprias atividades para se divertir.

Menos para uma fêmea de quero-quero que choca seus ovos ali no gramado. É uma espécie que costuma fazer ninho no solo. Em áreas urbanas, escolhe quintais, rótulas, parques e até campos de futebol.

Estamos sentados ali perto e só vemos a bola rolar em direção ao ninho quando a ave já havia se desviado.

— “Cuidado!” — Gritamos pro menino dono do brinquedo. Ele começa a correr atrás da bola, arriscando pisar no ninho.

— “Não se mexe!”, alerto o moleque, enquanto aponto a placa do aviso de área restrita para a mãe.

Placa vermelha fixada no gramado onde se lê: “Área restrita - Ninhos de Quero-Quero
Em vez de placa, seria melhor uma cerca

Pego a bola e entrego pros dois. A fêmea de quero-quero retorna ao ninho, protestando alto. Aparentemente, só voaram uns galhos secos. Acho, porém, que não vai durar. O povo acha que gramado é para ser pisado ou jogar futebol. E ninguém presta atenção na placa.


  • Pastel seco Koh-I-Noor
  • Papel kraft 110 g/m², 32 x 42 cm