Os presentes de Jayro Schmidt

Os presentes de Jayro Schmidt

Na feijoada de sábado de uma semana atrás, deixei com meus pais um exemplar do meu livro 60 dias dentro de casa – Um diário ilustrado do isolamento e pedi que o entregassem ao artista, escritor e crítico de arte Jayro Schmidt.

Eles frequentam a oficina de gravura do Centro Integrado de Cultura – CIC, em Florianópolis, mesmo lugar onde Schmidt dá a Oficina da Palavra, um curso para o desenvolvimento da escrita e da criatividade.

Meu exemplar era uma modesta retribuição por ele ter me presenteado com duas de suas obras: Quem vai com o nome, de contos, e O Stephen de Joyce, um ensaio literário.

Para minha surpresa ele dedicou seu tempo para fazer uma cuidadosa reflexão sobre meu livro neste vídeo publicado no Facebook.

A trajetória de Schmidt começou na década de 1960 e cobre desenho, pintura, gravura e artes gráficas, além da crítica de artes visuais e da literatura. Suas publicações mais recentes podem ser lidas aqui.


9 respostas para “Os presentes de Jayro Schmidt”

  1. Certa vez emprestei ao Jayro (temos aí mais um amigo em comum!) a minha cópia de “É isto um homem?”, do Primo Lévi, e ele me a devolveu com diversas anotações e sublinhados, meio que complementando os meus, o que tornou esta minha edição preciosíssima, o resultado de duas experiências de leitura. Tiro com frequência este volume da estante para reler as passagens que anotamos. Já leu este livro, Ivan? Para mim é uma das obras fundamentais da humanidade, deveria ser leitura obrigatória no colégio, para que todos saibam desde cedo os horrores e belezas de que somos capazes.

    A propósito, subscrevo o Jayro, seu livro é lindo! “Uma lição de coisas”, bem disse ele. (E também uma espiada sem problemas de consciência para dentro do lar de vocês — eu sempre tive esse péssimo hábito de não conseguir evitar olhar pela janela para dentro da casa das pessoas, hehehe… Não para ver as pessoas, mas os arranjos dos móveis, as quadros, os livros, etc.)

    • O círculo artístico aqui na cidade pelo jeito é equivalente a um pequeno vilarejo. Mas no caso do Jayro, é difícil quem não tenha no mínimo conhecido sua obra ou passado pelas suas oficinas. No meu caso, conheci-o por intermédio dos meus pais, que frequentam as oficinas do CIC há um bom tempo.
      Nunca me ocorreu de emprestar um livro e ele voltar marcado. Imagino que talvez eu ficasse um pouco bravo, mas lendo seu comentário, dependendo do leitor, é como se fosse uma conversa com ele(a). Não conhecia este livro do Primo Lévi, mas já o botei na lista.
      Que bom que você gostou do meu livro. De início fiquei inseguro de imprimir em papel esses desenhos e relatos meio particulares, mas no fim valeu a pena. No fim de semana mesmo outra amiga comentou que a namorada dela leu o livro e não entendia como a gente tem um aquecedor a gás e ainda não consertamos o encanamento de água quente (resposta: quebra-quebra no piso).
      Abraços!

      • Conheço o Jayro de uma oficina sobre história da arte que fiz com ele no CIC há bastante tempo. Foi quando emprestei o Primo Lévi para ele, e também trocamos livros — dei para ele um exemplar de “Os emigrantes”, do Sebald (sobre o qual ele depois escreveu um lindo ensaio), e ele me presenteou com várias obras dele. Tenho ótimas lembranças das nossas conversas sobre livros após as aulas; lembro também que ele ficou impressionado com “É isso um homem?” e me agradeceu profusamente por tê-lo apresentado ao livro. Um capítulo em especial o marcou bastante, o mesmo que havia me marcado antes.

        (Não me incomodei com as anotações e sulinhados dele no livro, pelo contrário! Eu sublinho e anoto bastante coisa nos meus livros — livros que potencialmente pertencerão a outras pessoas futuramente — então não ligo que os meus voltem assim, hehehe.)

        Sabe que aqui no nosso prédio esse problema nos encanamentos de água quente estava generalizado, de tal modo que contratou-se uma empresa que está fazendo um mutirão e trocando o encanamento de vários apartamentos. Os canos de cobre que se usava na época da construção desses prédios têm tempo de vida curto mesmo, fatalmente eles acabam rompendo. O nosso registro também está fechado, e estamos pensando em aderir ao mutirão… O gás é um pouco mais barato que a eletricidade, e gostamos de ter água quente também nas torneiras das pias! Sobre a quebradeira, essa é a parte ruim, mas o pessoal parece que está conseguindo deslocar os canos para as paredes, o que supostamente simplifica e reduz o custo do serviço.

        • Oi, Fabricio!!
          Aqui no prédio infelizmente um monte de gente já foi fazendo essa reforma e trocando o encanamento. Essa de passar pela parede é uma boa. Meu pai havia dado uma sugestão parecida, de passar pelo teto e deixar o de cobre enterrado no piso pras futuras gerações de arqueólogos.
          Não conheço esse livro “Emigrantes” do Sebald. Li só o “Anéis de Saturno” e gostei muito, essa coisa de misturar um passeio na geografia real e outro na memória do lugar.

  2. Ah, sobre o “É isso um homem?”, nossa biblioteca está à disposição de vocês. Ela sempre foi meio comunitária, na verdade, hehehe… Se quiserem lê-lo, é só vir aqui pegar. Recomendo muito.

  3. Você deverá gostar do “Os emigrantes” também, Ivan, pois o livro tem esse mesmo formato de memórias, geografia, muitas fotos e ilustrações, é muito bonito.

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