A falta que faz um Frank Maia

A falta que faz um Frank Maia

Conheci o trabalho do jornalista e cartunista Frank Maia ainda antes de entrar na faculdade de Jornalismo da UFSC folheando o fanzine Fútil (“indispensável”, dizia o subtítulo), criação dele e de Emerson Gasperin. Eu, ainda no ensino médio, caçava as edições em banca de jornais e sei lá mais onde os dois distribuíam as edições. Para mim, com dezessete anos, aquilo era o que eu queria fazer: jornalismo cultural e zoeira.

Assim que entrei no curso, soube de uma reunião para planejar uma publicação de quadrinhos. Foi no mezanino da antiga livraria Ex Libris, no shopping Beiramar. Deve ter sido por essa época que conheci pessoalmente a figura. Frank já foi perguntando:

— Você desenha?

Respondi com um “sim” sem muita firmeza e ele logo falou:

— Então tá dentro!

A revista ficou no projeto, mas nos tornamos amigos ou, melhor, ingressei na numerosa turma de amigos dele.

Um pouco mais tarde, fui atrás de uma vaga de designer no caderno AN Capital, que fazia parte do jornal A Notícia. A sucursal funcionava numa casa na rua Leoberto Leal, no Centro. Estava eu recebendo as instruções sobre minhas atribuições e de repente aparece o Frank Maia com a charge do dia (em papel e tinta) para ser escaneada. Faz um fuzuê na redação, brinca com todo mundo e pega um computador para trabalhar.

Perdi a conta de quantas vezes nos encontramos, mas a parada sempre foi assim, com ele tirando sarro ou encontrando algo para elogiar. E não era elogio só de educação. Artista talentoso, estava realmente ligado no que os amigos andavam aprontando e vinha com uma palavra de estímulo. Ultimamente, falava que um dia iria desenhar com a gente no Urban Sketchers.

Desnecessário apresentar o trabalho dele, afiado na charge política e perspicaz na criação dos personagens (As véia são as minhas preferidas). E sempre engraçado, que cartunista engraçado era para ser pleonasmo, mas não é.

Foi triste receber a notícia de sua morte. Me custa acreditar que não vou encontrá-lo nos bares do Centro nem rir com uma charge sua ao abrir o Facebook.

Valeu, bicho. Nós, seus amigos e amigas, já estamos com saudades.


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