Ivan Jerônimo

Caligrafia, lettering e artes visuais
 
Essays / tag / urban sketchers

A cada três semanas, tenho um compromisso: sair pra desenhar nos encontros do Urban Sketchers Florianópolis.

O movimento chegou na cidade em 2016 e já soma quase cinquenta sessões de desenho. Os locais são tão variados quanto a Praia do Forte, a praça Getúlio Vargas e a travessa Ratcliff. Fazendo as contas, deve dar quase mil trabalhos.

A exposição Ilha em Linhas - Os desenhos do Urban Sketchers Florianópolis traz um apanhado de 56 obras feitas nesses três anos e meio. Está imperdível, e digo isso não só porque sou um dos organizadores. São desenhos a lápis, aquarela e nanquim que retratam cenários da cidade, nem sempre aqueles que você vai ver em cartões postais. Cada um com seu estilo individual. 

Deu repercussão: saímos em quase dez veículos, incluindo matéria na TV.

Participantes na abertura da exposição dia 5/11. Foto: Ronaldo Effting

A exposição é resultado do empenho dos quatro administradores do Urban Sketchers Florianópolis e dos 29 expositores. Contamos também com o apoio da Fundação Catarinense de Cultura – FCC e do Governo do Estado. À Aline Zanella Bordignon, funcionária da FCC que faleceu mês passado, devemos o incentivo e a ideia de fazer um encontro no próprio CIC.

Visite

Ilha em Linhas - Os desenhos do Urban Sketchers Florianópolis
6 a 27 de novembro de 2019, de terça a domingo, das 10 às 21h
Abertura: 5 de novembro (terça), às 19h
Espaço das Oficinas · Centro Integrado de Cultura – CIC
Av. Governador Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica
Entrada gratuita · Classificação indicativa livre
Apoio: Oficinas de Arte, Fundação Catarinense de Cultura e Governo de Santa Catarina

Expositores

  • Ana Tuyama 
  • Antônia Ribeiro – Tunoqui
  • Audrey Laus

  • Camila Tuyama 
  • Carol Grilo

  • Daniela Almeida Moreira
  • 
Di Batista

  • Doug Menegazzi

  • Gui Ruchaud
  • Isa Simões
  • IsoDozol
  • 
Ivan Jerônimo
  • 
Jaqueline Silva
  • 
Jony Coelho
  • 
José Antônio Bellini
  • 
Laura Tuyama
  • 
Lucas Polidoro
  • 
Marcelo Schlee
  • Maria Esmênia
  • 
Michelli Zimmermann Souza
  • Nathália Hiendicke
  • 
Osmar Yang
  • 
Siení Cordeiro Campos
  • Sônia Tuyama
  • Suely Lewenthal Carrião
  • Valentina Kauling Laus
  • 
Vinícius Luge Oliveira
  • Walkiria Maria Duwe Mülbert
  • 
Zulma Borges 
Capa da primeira edição do fanzine Gusp. Fiz o desenho no mesmo local onde vai ser o lançamento

Já falei por aí que não tem como desenhar na rua sem conversar com alguém. Tem aqueles que encostam para puxar papo. Outras vezes, é você quem acaba escutando assuntos alheios sem querer. O que não é ruim: falando com moradores se descobrem coisas interessantes do lugar. Sem contar os diálogos aleatórios que acabam se tornando parte da lembrança de desenhar in loco.

É início de junho quando cineasta Marko Martinz me pergunta por mensagem se eu toparia fazer um desenho para um fanzine que ele e a documentarista Leticia Marques iriam lançar. A ideia é cobrir os arredores da esquina da rua Victor Meirelles com a Nunes Machado, no centro de Florianópolis. Como pareço ter atração por esse tipo de empreitada (que não dá dinheiro mas dá liberdade), aceitei.

O zine Gusp, que sai nesta quarta (17/7), aborda os personagens que circulam pelo lugar e os projetos culturais que resultam dessas interações. Para esta edição, a dupla convidou os artistas Pati Peccin e Julius Schadeck, os escritores Demétrio Panarotto e Fábio Brüggemann e a cineasta Cíntia Domit Bittar. O lançamento é no Picnic Food, hamburgueria vegana ao lado da esquina. 

 No meio do agito 

Marquei com ele e com Leticia Marques no Picnic Food em uma quinta-feira à noite. Dei uma volta pela esquina procurando o ângulo de onde desenhar mas os carros bloqueavam a visão. Decidi fazer da mesa onde estávamos sentados. O fácil é o certo, já dizia a música dos Titãs. 

Desenhar no Centro, à noite, é atividade social. Vídeo: Marko Martinz

Não lembro de ter desenhado com tanta coisa acontecendo em volta. Conversei, acompanhei pelo menos dois bate-papos que estavam rolando ao mesmo tempo, fui filmado, fotografado e ouvi os depoimentos que Martinz gravava de um cara sentado ao meu lado. Tudo isso enquanto fazia os traços com caneta tinteiro e decidia se deveria ou não jogar pincel preto nas árvores e no céu. A obra acabou indo para a capa.

O retorno da tesoura e cola 

Confesso que achei curiosa a iniciativa do fanzine. Para mim, esse tipo de publicação tinha parado nos anos 90, substituído por blogs e revistas com jeito profissional, resultado de softwares cada vez mais fáceis de usar. 

A volta da estética DIY é justamente uma reação ao minimalismo e às fotos super-tratadas de parte das publicações independentes, principalmente daquelas que abordam a cultura. Assim, armados de cola, tesoura, xerox e criatividade, Marques e Martinz lançam a primeira edição do Gusp. E já planejam o segundo número. 

Serviço

GUSP - Festa de lançamento da primeira edição do fanzine
17 de julho de 2019, quarta-feira, às 19h
Picnic Food FLN
Rua Victor Meirelles 138, Florianópolis, SC