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Fachada da Casa do Teatro do Grupo Armação, onde acontece a FAF. Sobrado é da metade do século 19 e provavelmente é um dos imóveis mais estreitos do Centro, com apenas 2,7 m de largura

Responsável por recuperar parte do movimento cultural do Centro, a Feira de Artes de Florianópolis (FAF) abre 30ª edição neste sábado, 15. São mais de vinte artistas que dividem os dois andares da Casa do Teatro do Grupo Armação com técnicas como gravura, desenho e pintura.

Uma das novidades é a participação dos bordados contemporâneos da crafter Carol Grilo. Eu estarei lá com trabalhos de caligrafia, alguns inéditos. Pretendo levar um conjunto autoral, de estilo mais livre. Todos os trabalhos vão estar à venda.

A FAF foi criada pelo jornalista e produtor cultural Fifo Lima em julho de 2015 para comercializar obras de arte originais diretamente com o público. A partir deste ano, passou a ser mensal. Para favorecer a variedade de linguagens, segundo Lima, a seleção é feita a partir dos trabalhos dos inscritos.

Fora da gaveta

A feira tem estimulado artistas iniciantes e conhecidos a botar o trabalho na rua e transformou o sobrado em lugar onde colecionadores, participantes e interessados se encontram para conversar e ver o que se produz de arte em Florianópolis – uma espécie de vernissage diurna. Um ano depois do início da FAF, Lima abriu um espaço permanente, chamado apropriadamente de Faferia DNA de Arte, também no Centro. 

Em setembro de 2015, participei da décima FAF, que tinha o tema artes gráficas. Já me parecia que o evento iria marcar a vida cultural na cidade. Reproduzo abaixo minhas impressões na época, que publiquei em outro site:


Coisas que se aprende em uma feira de artes

Estande de caligrafia na décima FAF (setembro de 2015)

29 de setembro de 2015 - Mostrar trabalhos artísticos em um evento é um bom aprendizado. Primeiramente, tem a reação das pessoas — elas param para olhar? Que tipo de obra chama mais a atenção?

Foi nesse espírito que aceitei o convite para expor meus trabalhos de caligrafia na Feira de Artes de Florianópolis, que eu já frequentava para ver a produção dos artistas da cidade. (…) As edições têm sido temáticas. A do dia 19, da qual participei, foi a décima e era dedicada às artes gráficas, tais como impressos, tipografia e gravura.

Além de ser um bom termômetro pra minha produção, fiz contato com os outros artistas que estavam expondo, vários deles que eu não teria achado nas rede sociais, tão cheias de distrações. Encontrar pessoas conhecidas, mas que não sabiam que eu estava metido com caligrafia, também rendeu assunto. 

Interessante foi ter conversado com ao menos três visitantes que contaram sobre um pai, avô ou tio alemão (ou descendente) que dominava a caligrafia no estilo gótico ou cursivo. Um deles me falou que o avô era quem sempre fazia os convites de casamento e outras cerimônias da família no Brasil.

Sabendo que a caligrafia ultimamente tem tido um certo componente performático, me ocorreu de levar alguns vídeos mostrando como fiz algumas obras. Deu certo: chamaram a atenção e foram um bom motivo para puxar conversa. Quem sabe da próxima vez não faço um trabalho na hora?


Nos encontramos no sábado!

Informações

30ª Feira de Artes de Florianópolis – FAF
15 de outubro de 2016, sábado, das 11 às 17h
Casa do Teatro Armação, Praça 15, 344, Centro, Florianópolis, SC
feiradeartedeflorianopolis@gmail.com
faferia.com 
Painel com artistas representados pela Faferia. Terceira obra da linha superior é caligrafia assinada por mim. Foto: Fifo Lima/Faferia

A Mosq (Feira de Artes Visuais) inicia sua segunda edição neste sábado, 3/9, no bistrô D'Acampora, em Florianópolis. Com obras de mais de 140 artistas, quase o dobro do ano passado, a feira tem o objetivo de "democratizar a arte, tornando-a acessível à contemplação e comercialização", segundo as organizadoras. A seleção inclui nomes consagrados e novos talentos, com técnicas que vão da pintura à escultura.

Meu trabalho em caligrafia que está lá foi levado pela Faferia - DNA de Arte, espaço cultural com galeria, cursos e molduraria, e uma das apoiadoras institucionais. A composição foi escrita a partir de letra da banda New Order e está ao lado de trabalhos de outros 17 artistas representados pela Faferia, muitos dos quais amigos e conhecidos.

Detalhe de caligrafia em nanquim e aquarela que está exposta na Mosq

Nove xilogravuras recentes dos meus pais, o casal de artistas Julia Iguti e Antônio Silva, também estão na mostra. Os dois fazem parte de um círculo que se formou ao redor da oficina de gravura do Centro Integrado de Cultura – CIC, sob orientação do professor Bebeto.

A Mosq segue até 11 de setembro, com visitação das 14 às 21h. A abertura é nesta sexta, 2/9, para artistas e convidados.


Mosq - Feira de Artes Visuais
3 a 11 de setembro de 2016, 14 às 21h
Entrada gratuita
Bistrô D'Acampora - SC 401 - Km 10 - Florianópolis - SC
feiramosq@gmail.com

Visitantes e expositoresExpositores no segundo dia do Parque Gráfico no Museu da Escola Catarinense

Analisando o Parque Gráfico depois de toda a correria, não dá para negar que foi um sucesso. O Museu da Escola Catarinense, em Florianópolis, ficou cheio nos três dias e a organização caprichou na seleção dos expositores. Definitivamente, existe público para arte impressa e publicações independentes de todo o tipo, incluindo aí meus trabalhos de caligrafia.

Na sexta, vieram visitantes que já estavam pelo Centro ou tinham acabado de sair do trabalho. Sábado foi o dia com mais movimento, como era esperado. No domingo, ainda muita gente – ganhamos do tempo chuvoso e da macarronada com a família.

A feira também teve boa cobertura na imprensa local. Saíram matérias no Notícias do Dia e no Diário Catarinense (neste até recebi destaque na versão online).

Ao trabalho!Minha mesa já montada com os trabalhos de caligrafia no primeiro dia do Parque Gráfico

Foi a melhor feira de que participei até agora. Não fiquei sentado mais de 15 minutos seguidos. Estava sempre conversando com alguém e quase perdi a voz. Porém, foi preciso se preparar. No meu caso, fiz séries novas especialmente para o Parque Gráfico e selecionei obras do meu arquivo que mostravam bem os vários estilos que faço. Quando se é convidado a participar de um evento, é bom investir energia nisso.

Conversar com os visitantes e observar o que teve mais saída impõe uma reflexão sobre seu próprio trabalho. Descobri que as frases que escolho para fazer as obras de caligrafia encontram eco nas pessoas. Sinal de que posso manter essa abordagem meio sarcástica e continuar usando referências menos comuns.