Ivan Jerônimo

Caligrafia, lettering e artes visuais

Do lado de fora, fazia uns 10 graus. Mesmo assim, mais de 50 pessoas passaram pela porta do Coffee & Shop 18 na noite marcada para o primeiro Café com Serifa, encontro de type designers, calígrafos, letristas e afins. Em uma certa altura, era preciso abrir caminho entre os participantes para circular pelo café.

Casa cheiaParticipantes do Café com Serifa no Coffee & Shop 18

No dia do evento, 9 de junho, havia no Facebook 86 usuários confirmados e outros 170 interessados. Três veículos publicaram matérias na véspera:

  • Acontecendo Aqui, principal portal de marketing e publicidade do estado
  • Diário Catarinense, com matéria completa na edição online e nota na edição impressa
  • Notícias do Dia, com matérias no impresso e online

Apesar de todo essa agitação, calculava que apareceriam entre 20 a 30 pessoas, um número muito bom para Florianópolis. Afinal, não deve ter tanta gente que trabalha com letras aqui.

Felizmente, me enganei.

Exercitando o traçoPessoas com os mesmos interesses acabavam sentando próximos. Na foto, pessoal pratica caligrafia em uma das mesas

Graças aos crachás, em que os participantes escreviam seu nome, interesses e ocupação, deu para ter uma ideia do público. Nos quase 50 crachás usados, era possível identificar:

  • Calígrafos
  • Pessoal de lettering
  • Type designers
  • Tatuadores
  • Grafiteiros
  • Designers gráficos
  • Professores e pesquisadores
  • Estudantes
  • Curiosos
  • Baristas (afinal, é preciso justificar o nome do encontro)

Conseguimos até fazer o pessoal sair do ambiente aquecido do café e ir ao deck assistir à demonstração do pincel com madeira balsa do Lese Pierre e a minha, de tinta de extrato de nogueira. Dentro da proposta inicial, de deixar o evento aberto, houve duas surpresas: o pessoal da Pintassilgo Prints doou um catálogo de fontes para o sorteio e Jefferson Cortinove distribuiu edições da revista Café Espacial.

DemonstraçãoLese Pierre demonstra o uso de pena feita com madeira balsa

A ideia agora é fazer o próximo daqui a dois meses, em um sábado à tarde, para dar oportunidade a quem não pode ir durante a semana. Se der certo, vamos manter a periodicidade bimestral e intercalaremos entre as noites dos dias de semana e as tardes de sábado. Para ser avisado das próximas edições, cadastre-se para receber nossos emailsentre no grupo no Facebook. Sugestões são bem vindas.

Finalmente, os agradecimentos: o Café com Serifa ganhou a ajuda de várias pessoas:

As fotos que acompanham este artigo e várias outras estão neste álbum do Flickr

Pintores têm galerias, vernissages e happenings. Escritores contam com tardes de leituras e noites de autógrafos. Jornalistas, nem se fala. Já calígrafos e tipógrafos raramente têm eventos para fazer uma social.

Para mostrar que a classe não é formada por bichos-do-mato, estou organizando um encontro chamado Café com Serifa aqui em Florianópolis (SC).

A ideia é juntar:

  • Calígrafos
  • Type designers e tipógrafos
  • Letristas
  • Designers
  • Qualquer um que se interesse por letras

Trata-se de um evento informal, aberto e gratuito. Teremos uma programação básica para dar o primeiro empurrão:

  • O artista visual Lese Pierre, que também está por trás do Café com Serifa, vai ensinar a fazer um pincel com madeira balsa e mostrar como usou essa ferramenta em seu último projeto.
  • Eu vou passar a receita da tinta de extrato de nogueira, mostrar o efeito que ela dá e sortear um vidrinho.

Quando comecei a praticar caligrafia com mais frequência, não sabia de nenhum outro praticante na cidade. Só depois que botei meu trabalho na rua é que fui conhecer outros designers e artistas que desenvolvem um trabalho ligado às letras.

Colegas com quem eu comentei sobre o plano de fazer um encontro reagiram com entusiasmo. A maior inspiração é o Bistecão Ilustrado, encontro de ilustradores que começou em São Paulo e se espalhou por outras cidades. Aqui tivemos uma versão local, o Berbigão Ilustrado, em 2007. Também tomei emprestado do pessoal de programação o conceito de desconferência, tipo de evento colaborativo que deixa as coisas livres para acontecerem. 

Outra peça importante é o Coffee & Shop 18, que sempre apoia iniciativas culturais. É o local onde fiz duas exposições de caligrafia e, não por coincidência, um dos donos é designer e aficionado por tipografia. 

Agora que tudo está acertado, basta chamar quem poderia se interessar e isso inclui você. Topas? 

Serviço

Café com Serifa · Encontro de calígrafos, tipógrafos, letristas e afins.
9 de junho de 2016, quinta, a partir das 19h.
Entrada gratuita.
Onde: 
Coffee & Shop 18.
Rua Professor Ayrton Roberto de Oliveira, 64 - Itacorubi, Florianópolis - SC.
Veja o evento do Café com Serifa no Facebook.

Visitantes e expositoresExpositores no segundo dia do Parque Gráfico no Museu da Escola Catarinense

Analisando o Parque Gráfico depois de toda a correria, não dá para negar que foi um sucesso. O Museu da Escola Catarinense, em Florianópolis, ficou cheio nos três dias e a organização caprichou na seleção dos expositores. Definitivamente, existe público para arte impressa e publicações independentes de todo o tipo, incluindo aí meus trabalhos de caligrafia.

Na sexta, vieram visitantes que já estavam pelo Centro ou tinham acabado de sair do trabalho. Sábado foi o dia com mais movimento, como era esperado. No domingo, ainda muita gente – ganhamos do tempo chuvoso e da macarronada com a família.

A feira também teve boa cobertura na imprensa local. Saíram matérias no Notícias do Dia e no Diário Catarinense (neste até recebi destaque na versão online).

Ao trabalho!Minha mesa já montada com os trabalhos de caligrafia no primeiro dia do Parque Gráfico

Foi a melhor feira de que participei até agora. Não fiquei sentado mais de 15 minutos seguidos. Estava sempre conversando com alguém e quase perdi a voz. Porém, foi preciso se preparar. No meu caso, fiz séries novas especialmente para o Parque Gráfico e selecionei obras do meu arquivo que mostravam bem os vários estilos que faço. Quando se é convidado a participar de um evento, é bom investir energia nisso.

Conversar com os visitantes e observar o que teve mais saída impõe uma reflexão sobre seu próprio trabalho. Descobri que as frases que escolho para fazer as obras de caligrafia encontram eco nas pessoas. Sinal de que posso manter essa abordagem meio sarcástica e continuar usando referências menos comuns.