Designers Juliana Shiraiwa e Miguel Etges analisam trabalho tipográfico

O segundo Café com Serifa tinha tudo para ficar vazio. Um encontro sobre tipografia, caligrafia e lettering em uma tarde fria e chuvosa de sábado, 20 de agosto, junto com a final de futebol masculino das Olimpíadas, não podia dar certo. Porém, aproximadamente 25 profissionais e interessados em letras provaram o contrário e assim ocupamos novamente o Coffee & Shop 18. E com uma programação maior que a da edição anterior, de iniciativa dos próprios participantes.

Enquanto o primeiro encontro teve demonstrações de materiais de caligrafia, este segundo foi dedicado à tipografia. Mary Meürer, professora do curso de Design da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e coordenadora do blog Tipos&Textos, organizou mostra com 12 cartazes da conferência de 2015 da Association Typographique Internationale – ATypI, que ocorreu em São Paulo. Designers e oficinas tipográficas foram chamados para criarem os pôsteres, que depois compuseram a exposição Letterpress Reloaded! e foram distribuídos aos inscritos. 

Exposição de cartazes impressos em tipografia para conferência da ATypI. Em primeiro plano, o exemplar criado pelo curso de Design da UFSC

Um dos cartazes veio de Florianópolis. Orientados por Meürer, alunos do curso de Design da UFSC criaram uma peça usando tipos de MDF cortados a laser, também expostos no café. A Imprensa Universitária, que ainda mantém uma tipografia, cuidou da impressão. Os pôsteres foram emprestados pela própria Mary Meürer e pelos designers Maíra Woloszyn e Renato Cardoso

Lançamento de fonte 

Para compensar a concorrência com o jogo da seleção, a data proporcionou uma coincidência a nosso favor. Uma semana antes, o type designer Jefferson Cortinove havia lançado a Kareemah, uma família tipográfica sem serifa, com 16 variações, ligaduras e todo o conjunto de caracteres das línguas ocidentais. Convidei-o a apresentar o projeto no Café com Serifa. 

Type designer Jefferson Cortinove detalha projeto de sua fonte Kareemah

Cortinove começou pedindo uma concha (o utensílio de cozinha, não a casa do molusco) ao pessoal do café e explicou que o objeto serviu de inspiração para as formas das letras. Depois, detalhou a criação dos diferentes pesos e variações, mostrou exemplos de caracteres especiais e as ligaduras. Ao todo, desenhou 800 caracteres para as variações. 

Brindes aparecem espontaneamente

Na hora do sorteio, o único item programado era o livro Esse é meu tipo, do jornalista Simon Garfield, um apanhado de ensaios e casos curiosos sobre tipografia que comprei na véspera. Mas, assim como no primeiro encontro, vieram contribuições. O Coffee & Shop 18 deu um pacote de café Grãos do Brasil, variedade bourbon amarelo, Cortinove providenciou um download da família completa da Kareemah e Mary Meürer doou um exemplar do cartaz da UFSC. 

Conversas e novos projetos

Outras áreas do design também são assunto de conversa. Na mesa ao fundo, tipos usados na produção do cartaz da UFSC

O objetivo do Café com Serifa é ser um encontro para a comunidade que trabalha ou se interessa por letras. A programação é sempre aberta – a ideia é que cada edição seja construída pelos próprios participantes. Ter eventos interessantes e ver as mesas cheias de pessoas conversando, algumas que até então não se conheciam, prova que estamos acertando.

O próximo encontro será à noite, em um dia de semana. O plano é continuar intercalando entre tardes e noites a fim de dar chance a todos. Para ficar sabendo das próximas edições, entre no grupo do Facebook e inscreva-se para receber o boletim. Nos vemos daqui a dois (ou três) meses!