A tipografia, área que estuda a forma visual das letras e é um dos principais fundamentos do design gráfico, tem pela primeira vez um evento exclusivo em Santa Catarina. Profissionais e acadêmicos dessa disciplina que une arte e ciência vão se encontrar no Santa Tipografia – 1º Encontro Tipográfico Catarinense, que ocorre 21 de outubro, sábado, no auditório da Faculdade Energia, no Centro de Florianópolis. A programação inclui palestras, debates e cursos com convidados dos três estados do Sul.

A criação de fontes será tema das palestras dos type designers Jefferson Cortinove (Florianópolis) e Henrique Beier (Porto Alegre). Aleph OzuasCristiano Moreira e Jakson Chiappa, de Santa Catarina, conversam na mesa-redonda sobre a impressão tipográfica contemporânea. O lettering e a caligrafia estão representados pelo projeto Pintores de Letras, que resgata o ofício tradicional dos letristas do sul de SC, e pelo coletivo Criatipos, de Curitiba, que além de palestra, ministra workshop no dia anterior

Crescimento

O encontro é organizado por um grupo de professores e profissionais que analisaram que o Estado, com mais de uma dúzia de faculdades de design, já tem público para um evento dedicado inteiramente ao assunto. “A tipografia está crescendo exponencialmente no Brasil, e Santa Catarina tem potencial para fazer parte do cenário nacional” explica Mary Meürer, professora do curso de design da UFSC. De fato, a Bienal de Tipos Latinos, que abrange todos os países da América Latina, teve o dobro de trabalhos brasileiros inscritos em 2016 comparado com a edição anterior. Tanto a participação nacional como o total de inscritos de todos os países têm registrado aumento a cada edição. 

Prova da impressão tipográfica na Imprensa Universitária da UFSC

O cuidado com o projeto se estende também ao material impresso, que já nasce como item colecionável. Para a identidade visual, a designer e professora da Faculdade Energia, Juliana Shiraiwa, uniu a impressão tipográfica tradicional – hoje redescoberta como meio de expressão – ao offset e à impressão digital. Ela e o impressor Mauro Coelho, da Imprensa Universitária, montaram um padrão com as matrizes tipográficas. Depois, esse padrão foi sobreposto às peças, que já haviam recebido a impressão em offset e digital. "Ao buscar uma linguagem para o evento, aproveitamos as diferentes tecnologias que a imprensa universitária disponibiliza, dando ênfase à impressão tipográfica", observa Shiraiwa. "Todo o conjunto foi pensado para que ela fosse o destaque", complementa. 

O Santa Tipografia é organizado pela AllvusFaculdade EnergiaUFSC e Univali, além de empresas apoiadoras como a HSP. Os ingressos, que já estão no segundo lote, dão entrada a todas as atividades, exceto o worskhop do Criatipos, na sexta-feira, que tem inscrição à parte. 

Serviço

Santa Tipografia – 1º Encontro Tipográfico Catarinense
21 de outubro de 2017, sábado, das 8h30 às 18h30
Faculdade Energia - Rua Santos Dumont, 36, Centro - Florianópolis, SC (mapa)
Informações e inscrições: santatipografia.com.br
Programação:
• Palestras:
Jefferson Cortinove (Sea Types, Florianópolis)
Henrique Beier (HarborType, Porto Alegre)
Nicole Castro e Rafael Hoffman (Pintores de Letras, Criciúma)
Cristina Pagnoncelli, Cyla Costa, Eduilson Coan e Jackson Alves (Criatipos, Curitiba)
• Mesa redonda Impressão Tipográfica Contemporânea com Aleph Ozuas (Corrupiola, Florianópolis), Jakson Chiappa e Cristiano Moreira (Oficina Papel do Mato, Rodeio)
• Workshop Criatipos: 20/10, das 10h às 18h em local separado: Univali - Rodovia SC 401, nº 5.025, 2º andar - Business Decor, Saco Grande
Organização: Allvus, Faculdade Energia, UFSC e Univali
Contato: contato@santatipografia.com.br

Marcio Fontoura (esq.), que comanda o programa Ateliê. Conversa sobre caligrafia é amanhã, 29/8

Participo de uma entrevista na webrádio Desterro Cultural amanhã (terça, 29/8), às 21h. O apresentador Marcio Fontoura me convidou ao seu programa Ateliê para falar sobre caligrafia: como comecei, coisas que me inspiram, as oficinas na Faferia e o que mais surgir durante o bate-papo. 

Observador atento dos movimentos culturais de Florianópolis, Fontoura já entrevistou músicos, pintores, cineastas e outros artistas. Em junho deste ano, estive no estúdio com outros integrantes do Urban Sketchers Florianópolis, grupo que organiza saídas para desenhar pela cidade. 

 "Conversas sobre processos criativos em artes" é o lema do programa. Assim será!

 

O Café com Serifa chega à sexta edição neste sábado, 26/8, para reunir novamente a comunidade de criadores de letras. É um evento bimestral aberto à troca de ideias, apresentação de projetos e conversas entre calígrafos, type designers, letristas e curiosos. O encontro ocorre pela segunda vez no Tralharia, mistura de antiquário, café e cervejaria que virou referência cultural no centro de Florianópolis. 

Designer Genilda Araujo assina cartaz desta edição com trabalho de caligrafia

O cartaz desta edição é assinado pela designer e professora Genilda Araujo, que também é calígrafa. Ela escreveu o título e o fundo em dois estilos de letras góticas e os digitalizou para fazer a composição que está no cartaz. Um exemplar impresso em fine art será sorteado no Café. 

O encontro regional Santa Tipografia, que ocorre em outubro em Florianópolis, também está na pauta. Os organizadores vão falar sobre as palestras e os debates que vão trazer profissionais dos três estados do sul. O bate-papo continua com os detalhes da programação e do material gráfico, impresso em tipografia, digital e offset. A presença dos organizadores no sábado não é por acaso – o Café com Serifa foi palco das primeiras conversas que viabilizaram o Santa Tipografia. 

Edição anterior do Café com Serifa em junho

E para justificar o "café" no nome, os designers Mônica de Souza e Bruno Abatti apresentam o projeto Cafezinho, que divuga a cultura do café especial. Primeiro, eles circulavam pela cidade com um estande da bebida, mas a vontade de criar fez a dupla produzir pôsteres e camisetas. 

A agenda conta ainda com sorteio de brindes e anúncios das novidades do mundo das letras. O Café com Serifa é gratuito, informal e aberto. 


Café com Serifa - 6ª edição

Encontro de type design, caligrafia, lettering e afins
Programação:
  • Apresentação do Santa Tipografia 
  • Apresentação do projeto Cafezinho, de Bruno Abatti e Mônica de Souza 
  • Caderno coletivo (cada pessoa tem uma página para escrever ou desenhar uma letra) 
  • Sorteio de brindes 

26 de agosto de 2017, sábado, às 15h
Tralharia - Rua Nunes Machado, 104, Centro · Florianópolis, SC (mapa)
Entrada gratuita
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A oficina Caligrafia Livre ganha mais uma edição dia 2 de setembro, sábado, às 14h. A ênfase é na prática: o participante vai explorar os principais instrumentos usados na caligrafia contemporânea e conhecer possibilidades além das margens do papel.

Foi na Faferia, espaço que une galeria de arte com cursos e molduraria, que a oficina encontrou sua casa. Desde que o proprietário Fifo Lima me convidou a dar a primeira edição em novembro do ano passado, não saí mais. A procura tem sido constante, a ponto dela ter se tornado uma das mais procuradas

Além da prática, a troca de ideias também traz inspiração. Cena da quarta edição em julho de 2017

A proposta é fazer uma imersão de cinco horas para aprender os movimentos básicos de três estilos com a pena quadrada, o pincel oriental e o tira-linhas (um instrumento de desenho técnico que foi adaptado para a caligrafia). Vamos experimentar ainda um jogo completo das penas do projeto Dreaming Dogs

E para mostrar que não é preciso gastar com instrumentos, vamos construir dois tipos de penas com materiais comuns, que você vai levar para casa. Para fechar, cada participante escolhe uma técnica para uma obra final. 

Saiba mais e inscreva-se em faferia.com


Oficina Caligrafia Livre - 5ª edição
Instrutor: Ivan Jerônimo
2 de setembro de 2017, sábado, das 14h às 19h
A partir de 16 anos
Não precisa conhecimento prévio
Valor: R$ 190
Faferia DNA de Arte - Rua Fernando Machado, 261, Centro, Florianópolis (mapa)
Fone: (48) 3065 6534

Não é todo sábado que sua mãe avisa que você saiu no jornal. Abri o aplicativo do Notícias do Dia e lá estava a nota que destaca meu trabalho de caligrafia. O texto vem acompanhado da reprodução de uma obra da qual gosto muito, juntamente com retrato tirado por Carol Grilo.

Bem acompanhado ao lado do ready-made Cadeau, do dadaísta Man Ray

O artigo foi publicado na coluna Mosaico, raro espaço de crítica de artes visuais na imprensa catarinense, mantido pela jornalista e produtora cultural Néri Pedroso. Ela abre o texto citando meus pais, que hoje se dedicam à gravura

Filho de peixe, peixinho é. Ivan Jerônimo, cujos pais são os artistas Julia Iguti e Antônio Silva, dedica-se à caligrafia ocidental, com abordagens tradicionais e contemporâneas. 

Mais adiante, a jornalista escreve sobre a Faferia DNA de Arte, que representa trabalhos meus, e avisa da oficina Caligrafia Livre que dou lá. 

 A nota saiu no caderno Plural na edição de fim de semana de 22 e 23 de julho.

Experiências com letra manuscrita e gravura na série Caligrafias

Palavra em Movimento, exposição de Arnaldo Antunes no Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), foi prorrogada até 3 de setembro. É a oportunidade de ver a produção dos últimos trinta anos do músico, poeta e artista visual reunidas numa só mostra. O conjunto deixa evidente pontos em comum de sua trajetória. O principal é o código verbal como ponto de partida, conforme ele mesmo explica em entrevistas anteriores.

São as experimentações com o texto que aproximam o trabalho de Antunes da caligrafia e do design gráfico – disciplinas que também lidam com as letras como componente visual. A influência da concretismo, movimento nos quais a forma visual é parte do poema, também sempre foi visível em seus livros e letras de música.

Traços expressivos

A série Caligrafias traz monotipias feitas entre 1998 e 2003 com tinta de carimbo. A técnica da monotipia consiste em aplicar tinta a uma placa de vidro ou plástico e imprimi-la em papel, obtendo-se uma cópia única. Além de usar folhas de quase um metro de comprimento, o artista teve de fazer o texto espelhado para que saísse corretamente na impressão. “Tinha que escrever invertido para sair a leitura do lado certo. Até que descobri que escrevia invertido mais fácil com a mão esquerda, aí incorporava o tremor da mão na própria expressividade do braço”, conta ele em entrevista ao jornal Notícias do Dia

Abstração e brincadeiras com palavras são duas vertentes da série Caligrafias

Por não se prenderem a estilos históricos, as 18 gravuras podem ser classificados como caligrafia contemporânea ou experimental. Algumas são praticamente composições abstratas, em outras se identificam palavras. A escrita cursiva se mistura com letras de forma. A poesia concreta às vezes é retomada quando o artista altera as letras de acordo com o que está escrito. São trabalhos de quem já se declarou fascinado pela caligrafia e que se utiliza dessa forma de arte há algum tempo. A série Oráculo, de 1981, também incluída na mostra, já incluía a escrita manual nos recortes. 

Mistura de códigos nas colagens das série Oráculo, trabalhos mais antigos da exposição

Letras urbanas

Letras na paisagem urbana são reorganizadas na instalação O Interno Exterior

Outra área de pesquisa do autor são os escritos na paisagem urbana, refletida na instalação O Interno Exterior, de 2014, obra mais recente da exposição. Em uma sala escura, monitores de vídeo alternam fotografias de mensagens publicitárias e de sinalização de rua. As letras e palavras às vezes formam frases ou permitem novas interpretações pela contraposição. Para coletar material, Antunes provavelmente deve ter se dedicado a uma prática chamada type hunting, popular entre designers gráficos, que fotografam as mensagens textuais dispostas pelas cidades. Diferente deles, que caçam espécimes tipográficos raros ou característicos, Arnaldo Antunes confronta mensagens para montar novos significados. 

Iluminação cria sombras que parecem fazer parte da obra

A iluminação do espaço valoriza principalmente as obras tridimensionais, em que palavras são desmontadas, reorganizadas e parecem ganhar novas leituras nas sombras projetadas nas paredes e pisos. 


Serviço

Exposição Palavra em Movimento - Arnaldo Antunes
25 de maio a 3 de setembro, de terça-feira a domingo, das 10h às 20h
Museu de Arte de Santa Catarina (Masc) - Centro Integrado de Cultura (CIC)
Av. Governador Irineu Bornhausen, 5600 - Agronômica - Florianópolis, SC
Entrada gratuita
Mais informações: (48) 3664-2630

Encontro de interessados em caligrafia, type design e lettering, o Café com Serifa chega à quinta edição neste sábado, em novo local. Desta vez, será no Tralharia, mistura de antiquário, café e cervejaria no Centro de Florianópolis. A proposta do evento é ser um espaço informal para conversas e colaborações entre praticantes de letras.

Ideia é ter artistas diferentes para os cartazes das próximas edições. Este, com lettering digital, foi feito por mim

Nesta edição, os designers Nicole Castro e Rafael Hoffmann apresentam o projeto Pintores de Letras, que documenta o ofício de letristas populares em muros e fachadas do sul de Santa Catarina. A dupla inicia a produção de um documentário em breve, viabilizado por financiamento coletivo.

Profissionais que fazem os letreiros do pequeno comércio são tema do projeto Pintores de Letras

O Ateliê Hodie se destaca pelo refinamento nos artigos de papelaria, que evocam o universo dos criadores Lese Pierre e Mariah Dias. A proposta foi apresentada ao público pela primeira vez na feira Parque Gráfico, no fim de maio. Agora, eles vão detalhar o conceito por trás da coleção, incluindo as escolhas tipográficas.

Cartões do Ateliê Hodie. Imaginário permeia toda a linha da marca

O caderno colaborativo inaugurado na edição anterior vai circular de novo. Cada participante tem uma página para fazer uma letra com qualquer material ou técnica. Quando for completado, o plano é digitalizá-lo para publicação online.

O Café com Serifa é aberto e tem entrada gratuita.


Café com Serifa - 5ª edição

Encontro de type design, caligrafia, lettering e afins
Programação:
  • Apresentação do projeto Pintores de Letras, por Nicole Castro e Rafael Hoffmann
  • Apresentação do Ateliê Hodie, por Lese Pierre e Mariah Dias
  • Caderno coletivo (cada pessoa tem uma página para escrever ou desenhar uma letra)
  • Sorteio de brindes
3 de junho de 2017, sábado, às 15h
Entrada gratuita

Todo praticante de caligrafia acaba desenvolvendo tipos próprios de letra. Geralmente, é uma mistura dos estilos de que ele mais gosta com um pouco do seu próprio traço. A criação muitas vezes é planejada: o artista aperfeiçoa uma letra até chegar a um resultado que possa ser repetido.

Em uma encomenda recente para uma amiga, vi que claramente não dava de usar nenhum de meus estilos usuais. A frase era “Entrego, confio, aceito e agradeço” do professor Hermógenes (1921-2015), conhecido mestre yogue com mais de vinte livros sobre a prática. Ao esboçar como ficaria a encomenda, achei que seria simples: bastaria planejar a disposição da frase e aplicar o estilo que a cliente havia escolhido, com base em outro trabalho meu.

Estudo inicial: estilo de caligrafia pareceu deslocado do sentido da frase

A mensagem, porém, tem uma certa leveza que não combina com o contraste duro do preto do nanquim com a folha. As bordas irregulares das letras, por sua vez, ficariam melhor em uma citação mais incisiva.

Tons claros

Ainda usando o pincel japonês, resolvi diluir o nanquim. A técnica cria uma transição de tons em que as áreas com tinta acumulada ficam mais escuras. O resultado ficou bom, mas suave demais. Aí, tive a ideia de usar o nanquim puro nos traços finos. Deu pra ver que daria certo logo na primeira versão.

Testei diversas diluições de nanquim até chegar a um tom de cinza nem muito escuro, nem muito claro, o que só é possível avaliar depois de seco. Primeiramente, escrevi só os traços grossos, prevendo as letras e o espaço disponível. Esperei a água evaporar e fiz os traços finos com um pincel menor (se eu aplicasse os traços pretos com a primeira camada ainda molhada, os tons iriam se mesclar).

Trabalho pronto. Ao secar, o nanquim diluído cria transições suaves de acordo com o acúmulo de tinta

Escolher a melhor versão dentre a meia dúzia de variações que acabo produzindo exige distanciamento. Por isso, deixo para decidir no dia seguinte. Selecionei a mais legível e com a composição mais equilibrada e combinei a entrega com a cliente, que aprovou. 


Evento para profissionais e amadores das artes das letras, o Café com Serifa tem nova edição nesta quarta, 15, em Florianopólis. Um dos destaques é o lançamento do número 16 da Café Espacial, publicação independente de quadrinhos e afins, com o editor Sergio Chaves.

Quem quiser soltar o traço poderá usar o caderno que irá passar de mesa em mesa – cada pessoa terá uma página para escrever ou desenhar uma letra. O objetivo é preencher todo o volume para depois digitalizá-lo. O encontro inclui também sorteio de brindes doados pelos próprios participantes.

Calígrafos são fáceis de se reconhecer

O Café com Serifa foi criado para ser um evento informal de conversa e troca de informações entre a comunidade de caligrafia, type design e lettering, ocupações em que geralmente se trabalha sozinho. Ocorre aproximadamente a cada dois meses, com a agenda organizada coletivamente. Nas edições anteriores, já houve demonstrações de como fazer instrumentos caseiros, lançamento de uma família de fontes de letras e exposição de pôsteres em tipografia, entre outras atividades.

Café com Serifa - 4ª edição
15 de março de 2017, quarta-feira, às 19h
Coffee & Shop 18: rua Acelon Pachêco da Costa, 231, Itacorubi Florianópolis, SC (mapa)
Mantenha-se informado pelo grupo no Facebook e pela newsletter

A oficina Caligrafia Livre encontrou seu lugar na Faferia DNA de Arte, em Florianópolis. Duas turmas já passaram uma tarde experimentando a pena, o pincel oriental e o tira-linhas. Agora vou dar mais uma edição dia 25 de março, sábado.

Preparei o conteúdo pensando na aula que eu gostaria de ter feito quando comecei. Em vez de treinar rigidamente um único estilo de letra histórica, algo que se acha facilmente em livros ou na internet, o participante pratica uma variedade de estilos e instrumentos para decidir o que produzir em casa ou escolher seus próprios materiais.

Participantes da segunda edição

A oficina é tanto para iniciantes como para quem já tem um pouco de experiência. Além de explicar como a caligrafia pode ser usada nas artes visuais e no design, mostro novas ideias – materiais inusitados, estilos diferentes e novas abordagens para instrumentos antigos, além das manhas que fui aprendendo. Um dos pontos altos da oficina é quando fazemos nossos próprios instrumentos – uma pena de bambu e um tira-linhas caseiro.

Veja mais detalhes e inscreva-se.

Oficina Caligrafia Livre · 3ª edição
25 de março de 2017, das 13h30 às 18h30
Faferia DNA de Arte - Rua Fernando Machado, 261, Centro, Florianópolis (SC)
10 vagas (mínimo de 5 inscritos)
A partir de 16 anos
Valor: R$ 190
Ministrante: Ivan Jerônimo

Capa da Revista Plural feita por Bruno Abatti, Jefferson Cortinove e Ivan Jerônimo

As letras são resultado do trabalho de profissionais que dominam type design, caligrafia e lettering. São eles os responsáveis pelas fontes usadas em seu celular, pela arte da mensagem da sua camiseta ou pelo menu atrás do balcão do seu café preferido. Exatamente por estarem em todo lugar, poucos param para refletir de onde elas vêm.

Por isso, a matéria especial de três paginas que saiu em dezembro na Revista Plural, caderno de cultura de fim de semana do jornal Notícias do Dia, pode ser considerado um feito. O gancho foi o terceira edição do Café com Serifa, encontro para interessados em letras que, entre outros objetivos, tenta tornar essas ocupações mais conhecidas.

Páginas centrais do caderno

Além de entrevistar um profissional de cada especialidade, a editora do caderno, Dariene Pasternak, sugeriu ainda uma criação coletiva para a capa. Como fui o primeiro contato, recomendei várias pessoas. No final, Bruno Abatti, designer e letrista, e Jefferson Cortinove, type designer e poeta, toparam participar.

Dois estudos iniciais. Versão da direita foi a escolhida

Sempre começo um projeto por esboços a lápis. Selecionei os mais promissores e fiz dois ensaios para enviar à editora, que escolheu a composição com os tipos sobre fundo vermelho. O prazo era apertado: aprovação do layout na sexta e entrega da arte definitiva na segunda, com o porém de que eu dava curso no sábado, Bruno participava de um evento de café e Cortinove estava viajando para lançar seu livro Roubadas de um Jardim. Na prática, foi quase tudo feito em um domingo.

O título tinha de ser decidido primeiro. A razão é que minha parte e a do Abatti são feitas à mão, dificultando mudar depois. ”Gente que faz letras”, a frase que foi juntamente com a proposta, emplacou. Isso simplificou bastante as coisas porque não teríamos de refazer o layout.

Lettering feito à mão de Bruno Abatti, pronto para ser escaneado

Bruno Abatti desenhou a palavra "Gente" a lápis e me enviou o arquivo escaneado, que se encaixou perfeitamente. Só preenchemos o miolo dos caracteres com branco para aumentar o destaque.

Jefferson Cortinove, que ficou com as palavras “que faz”, indicou várias de suas fontes. Fiquei entre a Hercílio e a Kareemah e, no fim, decidimos pela segunda. Para dar dinamismo à composição, usamos as versões fina e extra bold, ambas em itálico, e misturando caixa alta e baixa. A forma do Q maiúsculo foi decisiva na escolha. Escutei do próprio Cortinove no segundo Café com Serifa que a curva do traço inferior do Q maiúsculo foi uma das primeiras formas que ele desenhou, inspirado na forma de uma concha.

Caligrafia em estilo contemporâneo, resultado da combinação de materiais

Fiquei com a palavra "letras”, que escrevi com tinta nanquim diluída em água, papel rugoso e um tira-linhas da Dreaming Dogs, combinação que espirra bastante tinta. A ideia era refazê-la para a arte-final, mas a primeira versão me agradou e mantive-a assim. Só precisei escaneá-la com a qualidade adequada (no primeiro layout, usei uma foto).

Cuidado aos detalhes na montagem da contribuição de cada artista

Montei a composição no Affinity Photo, ajustando a posição das palavras e retocando os elementos que se sobrepunham. O objetivo foi dar unidade à mistura de tipos diferentes.

Cortinove representa os type designers na terceira página da matéria

Depois, respondemos às perguntas da repórter Karin Barros, responsável pelo texto, enquanto o fotógrafo Flávio Tin tirava os retratos. O resultado não podia ser melhor: capa mais três páginas, em tinta e em pixel. 

Mary Meürer (dir.): "Floripa precisava deste momento de conversa e troca de experiências"

Interessados no desenho das letras como profissão, objeto de estudo ou expressão visual têm encontro marcado nesta quarta-feira, 7/12, a partir das 18h. É a última edição do ano do Café com Serifa – evento bimestral que reúne type designers, calígrafos, letristas e interessados.

O lançamento do livro de poesias Roubadas de um Jardim, de Jefferson Cortinove, é destaque da programação. São obras em que parte do leitura vem do arranjo do texto na página. O autor cria as próprias fontes de letras usadas no livro, como a Leftheria e a Nautikka. “Na poesia de Jefferson Cortinove, sempre houve uma preocupação para além do aspecto visual. A palavra, aqui, é fundamental, mas não se restringe apenas à composição tipográfica, campo por onde o poeta também transita”, analisa o editor Sergio Chaves.

Capa do livro Roubadas de um Jardim, de Jefferson Cortinove, que será lançado no evento

Tipos em Florianópolis

A discussão sobre Florianópolis sediar um evento de tipografia ano que vem está na agenda do Café. Mary Meürer, professora de Tipografia do curso de Design da UFSC, mantém conversas com a organização do DiaTipo – conferência realizada em várias cidades do país desde 2008. O objetivo é avaliar se é possível fazer uma edição na ilha ou ainda criar um encontro similar.

Trabalhos da PARQUE Edições também serão apresentados ao público no Café com Serifa

A PARQUE Edições também aproveita a oportunidade para mostrar seu primeiro produto: a coleção de postais tipográficos Trash Songs Brasil Anos 90. As designers Babi Carvalho e Luiza Touco, e a produtora cultura Camila Petersen estão por trás da iniciativa, que nasceu da feira Parque Gráfico. “Utilizamos hand letterings ornamentados em contraponto com as letras bagaceiras de algumas das músicas que tanto marcaram a infância da nossa geração”, explica Petersen.

Interesses comuns

A ideia que motivou a criação do Café com Serifa foi reunir pessoas com interesses comuns, mas cujo trabalho individual e especializado não favorece as interações no mundo real. "Floripa precisava deste momento de conversa e troca de experiências para integrar mais as pessoas que se interessam pelo assunto", afirma Meürer.

Uma das inspirações foi o Bistecão Ilustrado, encontro em São Paulo que juntava ilustradores de diferentes estilos, dos novatos aos veteranos do mercado, e que criou uma comunidade que até hoje se mantém nas redes sociais. É este viés que motiva Cortinove a ir ao Café com Serifa: "você tem a possibilidade de conhecer pessoas de trabalhos semelhantes e se sente mais inspirado em produzir, além de trocar informações e conhecimentos", analisa.


Café com Serifa - 3ª edição - Encontro de type design, caligrafia, lettering e afins

7 de dezembro de 2016, quarta-feira, a partir das 18h
Coffee & Shop 18: rua Professor Acelon Pacheco da Costa, 64, loja 3 · Itacorubi, Florianópolis (mapa)
Programação:
  • Lançamento do livro Roubadas de um Jardim, do type designer Jefferson Cortinove, que estará à venda
  • Lançamento dos postais tipográficos da coleção Trash Songs Brasil Anos 90 da PARQUE Edições, também à venda
  • Conversa para realizar um encontro sobre tipografia em 2017 em Florianópolis
  • Sorteio de um exemplar do livro Roubadas de um Jardim (Jefferson Cortinove), de um pack com cinco cartões tipográficos da PARQUE Edições e de uma obra em caligrafia de Ivan Jerônimo

Entrada: gratuita
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Inscreva-se na oficina Caligrafia Livre que vou dar na Faferia DNA de Artes em 26 de novembro, sábado. Começo com uma breve apresentação sobre o status da caligrafia no mundo das artes visuais e logo partimos para a prática. O participante vai treinar com vários materiais e descobrir o que dá de fazer com eles. De quebra, vamos construir dois instrumentos e aprender a usá-los.

A ideia da oficina veio de uma observação que fiz em outro curso. Depois de quatro horas de caligrafia gótica tradicional com pena e nanquim, finalizava com uma explicação sobre o tira-linhas e mostrava como montar uma versão caseira. Aí percebi o interesse dos participantes em mais diversidade de conteúdo. Essa abordagem reflete meu próprio início, quando testava instrumentos para ver no que dava. Fiz a versão de duas horas deste curso em abril e agora vamos ter mais tempo para nossas experiências.

Demonstração de caligrafia com pena e nanquim

Inscreva-se em faferia.com. Não tem pré-requisito.

Oficina Caligrafia Livre
26/11/2016 (sábado), 13h30 às 18h30
10 vagas (mínimo de 5 inscritos)
A partir de 16 anos
Valor: R$ 190
Ministrante: Ivan Jerônimo

Resumo

Uma oficina de experimentação para conhecer as possibilidades criativas de vários instrumentos de caligrafia. Vamos começar com uma demonstração dos estilos e suas ferramentas, tintas e suportes, incluindo materiais alternativos. Depois passamos à prática, em que o participante faz seu próprio instrumento e desenvolve uma obra no estilo que preferir.

Metodologia

  • A arte da caligrafia hoje: instrumentos, suportes e estilos
  • Demonstração dos materiais e seus resultados
  • Como fazer uma pena de bambu e um tira-linhas caseiro
  • Experimentação com os materiais
  • Escolha de um instrumento e tema para um trabalho final
Mais informações.
Fachada da Casa do Teatro do Grupo Armação, onde acontece a FAF. Sobrado é da metade do século 19 e provavelmente é um dos imóveis mais estreitos do Centro, com apenas 2,7 m de largura

Responsável por recuperar parte do movimento cultural do Centro, a Feira de Artes de Florianópolis (FAF) abre 30ª edição neste sábado, 15. São mais de vinte artistas que dividem os dois andares da Casa do Teatro do Grupo Armação com técnicas como gravura, desenho e pintura.

Uma das novidades é a participação dos bordados contemporâneos da crafter Carol Grilo. Eu estarei lá com trabalhos de caligrafia, alguns inéditos. Pretendo levar um conjunto autoral, de estilo mais livre. Todos os trabalhos vão estar à venda.

A FAF foi criada pelo jornalista e produtor cultural Fifo Lima em julho de 2015 para comercializar obras de arte originais diretamente com o público. A partir deste ano, passou a ser mensal. Para favorecer a variedade de linguagens, segundo Lima, a seleção é feita a partir dos trabalhos dos inscritos.

Fora da gaveta

A feira tem estimulado artistas iniciantes e conhecidos a botar o trabalho na rua e transformou o sobrado em lugar onde colecionadores, participantes e interessados se encontram para conversar e ver o que se produz de arte em Florianópolis – uma espécie de vernissage diurna. Um ano depois do início da FAF, Lima abriu um espaço permanente, chamado apropriadamente de Faferia DNA de Arte, também no Centro. 

Em setembro de 2015, participei da décima FAF, que tinha o tema artes gráficas. Já me parecia que o evento iria marcar a vida cultural na cidade. Reproduzo abaixo minhas impressões na época, que publiquei em outro site:


Coisas que se aprende em uma feira de artes

Estande de caligrafia na décima FAF (setembro de 2015)

29 de setembro de 2015 - Mostrar trabalhos artísticos em um evento é um bom aprendizado. Primeiramente, tem a reação das pessoas — elas param para olhar? Que tipo de obra chama mais a atenção?

Foi nesse espírito que aceitei o convite para expor meus trabalhos de caligrafia na Feira de Artes de Florianópolis, que eu já frequentava para ver a produção dos artistas da cidade. (…) As edições têm sido temáticas. A do dia 19, da qual participei, foi a décima e era dedicada às artes gráficas, tais como impressos, tipografia e gravura.

Além de ser um bom termômetro pra minha produção, fiz contato com os outros artistas que estavam expondo, vários deles que eu não teria achado nas rede sociais, tão cheias de distrações. Encontrar pessoas conhecidas, mas que não sabiam que eu estava metido com caligrafia, também rendeu assunto. 

Interessante foi ter conversado com ao menos três visitantes que contaram sobre um pai, avô ou tio alemão (ou descendente) que dominava a caligrafia no estilo gótico ou cursivo. Um deles me falou que o avô era quem sempre fazia os convites de casamento e outras cerimônias da família no Brasil.

Sabendo que a caligrafia ultimamente tem tido um certo componente performático, me ocorreu de levar alguns vídeos mostrando como fiz algumas obras. Deu certo: chamaram a atenção e foram um bom motivo para puxar conversa. Quem sabe da próxima vez não faço um trabalho na hora?


Nos encontramos no sábado!

Informações

30ª Feira de Artes de Florianópolis – FAF
15 de outubro de 2016, sábado, das 11 às 17h
Casa do Teatro Armação, Praça 15, 344, Centro, Florianópolis, SC
feiradeartedeflorianopolis@gmail.com
faferia.com 

Julia Iguti e Antônio C. Silva abrem a exposição Ironias nesta sexta, 23, às 19h30, no espaço Nacasa, em Florianópolis. Em exibição, mais de 50 xilogravuras que representam duas linhas de trabalho distintas. A mostra segue até 19 de outubro.

Segundo a artista Patrícia Amante, que assina a apresentação, "Julia vê pessoas, paisagens, imagens do cotidiano e jornalísticas, criando possibilidades para a elaboração do desenho, conduzindo a algo que não havia pensado", escreve. "Antônio C Silva", continua, "desenvolve uma temática sobre o ridículo do homem. Animais com caras de homens ou vice-versa, irracionais e bizarros".

A exposição traz obras desenvolvidas na Oficina de Gravura do Centro Integrado de Cultura (CIC) sob orientação do gravurista Bebeto – Iguti começou a partir da década de 1980, Silva desde 2008. Ambos são arquitetos formados na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e moram em Florianópolis há 40 anos (e são meus pais).

Além da gravura, a carreira artística dos dois inclui pintura, desenho e escultura, com exposições na Fundação Badesc, Galeria Municipal Pedro Paulo Vecchietti, Museu Victor Meirelles, entre outros. Iguti expôs ainda no Japão e na França.

 

Ironias - Exposição de xilogravuras
Julia Iguti e Antônio C. Silva
Abertura: 23 de setembro de 2016
Visitação: Até 19 de outubro, de segunda a sexta, das 14h às 18h · Entrada gratuita
Na Casa Coletivo Artístico
Rua José Francisco Dias Areias, 359, Trindade - Florianópolis, SC
Informações:
contato@nacasa.art.br

Mesmo com o ambiente espaçoso, era preciso ir alternando entre as paredes ou esperar alguém sair da frente para conseguir ver todas as 500 obras na abertura da Feira de Artes Visuais (Mosq), no Bistro D'Acampora, em Florianópolis. A quantidade de gente que foi à noite de inauguração no último dia 2 mostrou que há público para eventos de arte na cidade.

Pelas contas da organização, eram 130 artistas com pinturas, desenhos, fotografias, gravuras e outras técnicas. A maioria de Santa Catarina, mas havia nomes de outros estados. O espaço tinha ainda duas mesas para as esculturas e dois suportes para arte em papel sem moldura. A única obra em caligrafia era minha, representada pela Faferia DNA de Arte. Meus pais Julia Iguti e Antônio C. Silva também estavam lá com nove trabalhos em xilogravura. A Mosq foi até o último domingo, 11/9.

Ao lado do acervo da Faferia DNA de Arte na Mosq. Caligrafia minha (esq.) era única obra do gênero na feira
Gravurista Julia Iguti folheia obras em papel em um dos suportes
Antônio C. Silva ao lado de sua xilogravura
Artistas Carol Grilo, eu e Osmar Yang
Julius Schadeck e sua pintura, também no espaço da Faferia
Osmar Yang e Julius Schadeck mostram suas habilidades marciais
Painel com artistas representados pela Faferia. Terceira obra da linha superior é caligrafia assinada por mim. Foto: Fifo Lima/Faferia

A Mosq (Feira de Artes Visuais) inicia sua segunda edição neste sábado, 3/9, no bistrô D'Acampora, em Florianópolis. Com obras de mais de 140 artistas, quase o dobro do ano passado, a feira tem o objetivo de "democratizar a arte, tornando-a acessível à contemplação e comercialização", segundo as organizadoras. A seleção inclui nomes consagrados e novos talentos, com técnicas que vão da pintura à escultura.

Meu trabalho em caligrafia que está lá foi levado pela Faferia - DNA de Arte, espaço cultural com galeria, cursos e molduraria, e uma das apoiadoras institucionais. A composição foi escrita a partir de letra da banda New Order e está ao lado de trabalhos de outros 17 artistas representados pela Faferia, muitos dos quais amigos e conhecidos.

Detalhe de caligrafia em nanquim e aquarela que está exposta na Mosq

Nove xilogravuras recentes dos meus pais, o casal de artistas Julia Iguti e Antônio Silva, também estão na mostra. Os dois fazem parte de um círculo que se formou ao redor da oficina de gravura do Centro Integrado de Cultura – CIC, sob orientação do professor Bebeto.

A Mosq segue até 11 de setembro, com visitação das 14 às 21h. A abertura é nesta sexta, 2/9, para artistas e convidados.


Mosq - Feira de Artes Visuais
3 a 11 de setembro de 2016, 14 às 21h
Entrada gratuita
Bistrô D'Acampora - SC 401 - Km 10 - Florianópolis - SC
feiramosq@gmail.com

Designers Juliana Shiraiwa e Miguel Etges analisam trabalho tipográfico

O segundo Café com Serifa tinha tudo para ficar vazio. Um encontro sobre tipografia, caligrafia e lettering em uma tarde fria e chuvosa de sábado, 20 de agosto, junto com a final de futebol masculino das Olimpíadas, não podia dar certo. Porém, aproximadamente 25 profissionais e interessados em letras provaram o contrário e assim ocupamos novamente o Coffee & Shop 18. E com uma programação maior que a da edição anterior, de iniciativa dos próprios participantes.

Enquanto o primeiro encontro teve demonstrações de materiais de caligrafia, este segundo foi dedicado à tipografia. Mary Meürer, professora do curso de Design da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e coordenadora do blog Tipos&Textos, organizou mostra com 12 cartazes da conferência de 2015 da Association Typographique Internationale – ATypI, que ocorreu em São Paulo. Designers e oficinas tipográficas foram chamados para criarem os pôsteres, que depois compuseram a exposição Letterpress Reloaded! e foram distribuídos aos inscritos. 

Exposição de cartazes impressos em tipografia para conferência da ATypI. Em primeiro plano, o exemplar criado pelo curso de Design da UFSC

Um dos cartazes veio de Florianópolis. Orientados por Meürer, alunos do curso de Design da UFSC criaram uma peça usando tipos de MDF cortados a laser, também expostos no café. A Imprensa Universitária, que ainda mantém uma tipografia, cuidou da impressão. Os pôsteres foram emprestados pela própria Mary Meürer e pelos designers Maíra Woloszyn e Renato Cardoso

Lançamento de fonte 

Para compensar a concorrência com o jogo da seleção, a data proporcionou uma coincidência a nosso favor. Uma semana antes, o type designer Jefferson Cortinove havia lançado a Kareemah, uma família tipográfica sem serifa, com 16 variações, ligaduras e todo o conjunto de caracteres das línguas ocidentais. Convidei-o a apresentar o projeto no Café com Serifa. 

Type designer Jefferson Cortinove detalha projeto de sua fonte Kareemah

Cortinove começou pedindo uma concha (o utensílio de cozinha, não a casa do molusco) ao pessoal do café e explicou que o objeto serviu de inspiração para as formas das letras. Depois, detalhou a criação dos diferentes pesos e variações, mostrou exemplos de caracteres especiais e as ligaduras. Ao todo, desenhou 800 caracteres para as variações. 

Brindes aparecem espontaneamente

Na hora do sorteio, o único item programado era o livro Esse é meu tipo, do jornalista Simon Garfield, um apanhado de ensaios e casos curiosos sobre tipografia que comprei na véspera. Mas, assim como no primeiro encontro, vieram contribuições. O Coffee & Shop 18 deu um pacote de café Grãos do Brasil, variedade bourbon amarelo, Cortinove providenciou um download da família completa da Kareemah e Mary Meürer doou um exemplar do cartaz da UFSC. 

Conversas e novos projetos

Outras áreas do design também são assunto de conversa. Na mesa ao fundo, tipos usados na produção do cartaz da UFSC

O objetivo do Café com Serifa é ser um encontro para a comunidade que trabalha ou se interessa por letras. A programação é sempre aberta – a ideia é que cada edição seja construída pelos próprios participantes. Ter eventos interessantes e ver as mesas cheias de pessoas conversando, algumas que até então não se conheciam, prova que estamos acertando.

O próximo encontro será à noite, em um dia de semana. O plano é continuar intercalando entre tardes e noites a fim de dar chance a todos. Para ficar sabendo das próximas edições, entre no grupo do Facebook e inscreva-se para receber o boletim. Nos vemos daqui a dois (ou três) meses!

Carol Grilo é conhecida pelos acessórios feitos a mão para sua marca, a FofysFactory. Há alguns anos, ela também desenvolve um trabalho autoral em bordado com abordagem contemporânea. É esta produção paralela que vai estar na exposição Torrado Coado Bordado que abre próximo sábado (12/8), no Coffee & Shop 18, em Florianópolis.

São peças com o tema de café, em que Carol combina imagens e frases usando a linguagem visual da ilustração e do design gráfico. Os onze trabalhos, feitos especialmente para esta exposição, foram desenvolvidos no período de um ano e refletem uma linha criativa que a autora vem perseguindo desde então.

Letras cursivas

Versões das palavras "café" e "100% arábica" escritas a pincel

Na época em que preparava as obras, a artista teve a ideia de bordar palavras a partir de caligrafias. Com um calígrafo em casa, foi fácil. Ela me pediu dois escritos, ambos em estilo cursivo: "café" e "100% arábica" (espécie de café mais cara e com sabor menos amargo). Peguei o pincel, fiz vários ensaios com nanquim e ela escolheu quais seriam traduzidos em linha e tecido. A área ao redor das letras ganhou tons de marrom. O interior ficou sem preenchimento, aproveitando o espaço negativo.

Café: bordado originado de uma caligrafia. Marrom, como sugere o tema

Mudança de atitude

Carol Grilo faz parte de uma nova geração de artistas que transforma artes tradicionalmente femininas e com linguagens visuais arraigadas. "Hoje artistas plásticos e crafters transmitem mensagens de nosso tempo através do bordado, que geralmente estávamos acostumados a ver em desenhos ingênuos", afirma.

Os trabalhos em exposição estão à venda.


Exposição Torrado, Coado, Bordado
Abertura: 12 de agosto, sexta-feira, às 19h
Visitação: de 12 de agosto a 2 de setembro, de segunda à sexta, das 8h30 às 19h
Onde: Coffee & Shop 18: rua Professor Acelon Pacheco da Costa, 64, loja 3 · Itacorubi, Florianópolis

Há cerca de um ano, tive a oportunidade de criar um painel de caligrafia diferente. Foi uma obra temporária e, exceto por uma letra "a" no centro, sem nada escrito. Livre da exigência de legibilidade, me concentrei só na composição e pintei diretamente na parede, sem esboço. Realizei essa espécie de performance caligráfica durante o encontro de desenho Drink & Draw no Sítio, um espaço cultural na Lagoa da Conceição, em Florianópolis (SC).

Detalhe da arte. Traços foram aplicados com tinta guache e pincel

O convite veio do artista gráfico Lese Pierre, um dos organizadores do evento na época – hoje, ele é o agitador do Gag & Draw Jam, no bairro Coqueiros. Dois dias antes, fui ao Sítio conversar com ele sobre a arte. A parede é toda preta e mede cerca de dois metros quadrados. Por ser uma construção antiga, tem irregularidades que aparecem mesmo debaixo da pintura.

Minha intenção era mais convencional: compor uma frase com letras em caixa-alta (maiúsculas), combinadas com linhas horizontais da mesma espessura das letras. O objetivo era formar um bloco visualmente sólido. Para que os escritos pudessem ser apagados, usei tinta guache diluída em água. Queria uma consistência mais líquida e ao mesmo tempo opaca, mas misturei água demais. A tinta escorreu e ficou transparente.

Dois testes para a caligrafia: em cima, a arte mais convencional, com texto. Embaixo, o arranjo abstrato

Avaliando com Pierre esse primeiro ensaio, decidimos partir para algo mais abstrato. Afinal, para que desperdiçar a oportunidade de ter uma parede preta com liberdade total? Comecei a escrever formas derivadas de dois tipos de letras góticas – bastarda e fraktur – tentando formar um padrão uniforme à distância. Decidimos que esse seria o estilo da arte e apagamos tudo com pano e água.

No dia do evento, preparei a tinta com a diluição certa e usei meu pincel mais largo, de 7,6 cm. A partir da letra "a" ao centro, fui adicionando traços ao redor, atento às sobreposições e à composição geral. Dá um pouco de frio na barriga não ter esboço antes. O fato da tinta ser removível não ajudou muito – se eu errasse, quebraria a impressão de espontaneidade. Mas, uma vez que você se dá conta de que não existe "erro" e assume que as coisas podem sair do planejado, fica mais calmo. Fui devagar, pensando antes de cada traço. De vez em quando, me afastava para ter uma perspectiva mais geral.

Hora de posar com a obra ao fundo. O avental limpo atesta a habilidade do artista

No fim, deu tudo certo e ficou pronto em menos de 15 minutos. Trechos do vídeo foram parar na agenda de fim de semana do telejornal local (começa nos 17 s). O painel foi lavado no dia seguinte, mas ficou a vontade de repetir a experiência. Aprendi ainda que deixar as coisas mais soltas, com menos planejamento, pode ser interessante.